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The Red Redintoge (1798-1813)

 Olá a todos!  

     Lembram-se de eu ter mencionado no post anterior que andava a planear fazer um redingote?  Especificamente utilizando um maravilhoso burel fino vermelho que adquiri da Woonatur? Bem talvez isso não tenha contado, mas de certeza que esta gravura vos é familiar... 

Costume Parisien (1811). Journal des dames et des modes.

Já andava a matutar neste projeto há muito tempo. Tomando esta fashion plate como inspiração, desenhei o meu molde a partir  do #130 da Laughing Moon Mercantile, uma marca que, pela sua qualidade, já me habituou a confiar na produção de peças de vestuário histórico.

Já me é muito mais fácil produzir estas peças do que no início deste blog. Fazendo uns ajustes que incluíram adaptações das pinças junto ao peito, a mudança da saia franzida nas costas para pregas (ao meu gosto), a aplicação de um forro em seda vermelha,
 sem esquecer os colchetes internos para o fecho, o redingote ficou rapidamente concluído.






Simples, mas para uma cor tão vibrante e quente, não achei que fosse necessário muitos mais elementos (para além da capa amovível, claro).


Uma comparação lado a lado (sem a capa).

Então, o que acham? Ainda não cresceu o bichinho da moda histórica a vocês? 








Burel: Woonatur
Seda (forro): Cisuli Silk-Fabric Store (Aliexpress)
Colchetes e linha: Arte & Lã Retrosaria (Guarda)



Embroidered Pocket (1790-1800)



Olá a todos... De novo!


Desde o início deste ano que tenho andado inspirada para bordar. Tive a ideia de preparar uma série de bolsos bordados para algumas das minhas amigas da recriação histórica. 

Comecei por procurar inspiração. Encontram-se uma grande variedade de bolsos do século XVIII, originais e reproduções, com os mais diversos formatos de bordados. O molde dos bolsos tende para o formato de lágrima. Os motivos decorativos são frequentemente florais e lanceolados, mas também datas e nomes.


Pocket (1796). The MET Museum

Também no blog da American Duchess disponibilizam um molde com bordado para este género de bolsos (ver aqui).  

Depois de me inspirar, decidi desenhar o meu próprio molde de bordado. Depois optei por seguir o molde #132 Ladies Bodiced Pettitcoat, Bum Roll & Pockect (1800-1825), vista D.

Comecei assim por aproveitas alguns retalhos de burel que tinha por casa. E iniciei o trabalhos de bordado. 

Moroso! Mas os resultados falam por si...




Terminado o bordado, passei para a fase da costura. Comecei por cortar com o mesmo formato o tecido que iria servir para o forro, um algodão em tom creme.  

De seguida, utilizando uma fita de viés, comecei por unir as dois tecidos (o burel e o forro) no rasgo central do bolso. Um trabalho delicado, mas que com a prática consegui aperfeiçoar.


Por fim, restou unir as duas restantes camadas de tecido com a fita de viés em toda a volta, sem esquecer o cordão em cada lado do bolso.

E Voilá!


E aqui estão mais dois bolsos que fiz, agora entregues em boas mãos.










Tecido de algodão (Forro) linhas e fitas de viés: Retrosaria Camilo (Guarda Gare) 
Linhas de bordar: Anchor

Algibeira



Hoje vamos falar de um acessório que mais prazer me deu a produzir... a Algibeira.

Comecei por reaproveitar o tecido de burel vermelho (que adquiri através da Wonatur), que me sobrou do projecto do Stays, e surrobeco (adquirido na Loja do Sr. Manuel) de uma saia, para fazer o bolso.

A inspiração para a forma tirei-a de uma série de imagens de algibeiras portuguesas de meados e finais do
Século XIX. Simultaneamente tentei conjugar a decoração bordada que frequentemente se encontra nos bolsos interiores do século XVIII.

Sentindo-me inspirada, desenhei em papel vegetal o desenho de bordado que pretendia, com uns twist “à moda portuguesa” - Claro está que não podia faltar uma cruz! Para personalizar, bordei o apelido da minha família que consta que já existia na zona da Beira interior em inícios do século XIX e ainda uma heráldica a ela associada.



A fita de atar é de veludo azul-escuro.




Por fim, a algibeira foi forrada com um algodão lindíssimo cedido por, mais uma vez, a Sra. Fátima.



Adorei fazer esta algibeira. Foi relativamente rápido, demorei sensivelmente 5 dias (1/2h por dia) para a terminar, com um alicate sempre à mão - Sim, porque perfurar 2 camadas de burel e 1 de surrobeco não foi pera doce, mas fez-se.










Burel: Wonatur
Surrobeco: Loja do Sr. Manuel
Fita de Veludo: Retrosaria Arte&Lã
Linhas de bordar: Anchor, O Baú das Linhas

Stays (1770 - 1790)


Hoje partilho com vocês uma das primeiras peças que produzi com a preciosa ajuda de duas pessoas que me são muito queridas, o Rafael e a Sra. Fátima. 

Tratam-se de uns Stays, uma das peças mais características do figurino feminino para a época moderna. Após participar em vários eventos de recriação histórica de Guerras Peninsulares referentes às Invasões Francesas como popular portuguesa, senti a necessidade de melhorar o meu guarda-roupa de recriadora. E, como é habitual, escolhi começar logo pela peça mais morosa e exigente de paciência.

Comecei por pesquisar inspirações, algo que se enquadrasse na última década do século XVIII, e encontrei esta preciosidade da Victoria & Albert Museum:


Stays (1770-1790), England. V&A.


Trata-se de um Half-Stays, que significa que contêm metade das barbas de baleia que um Full-Stays teria.Adquirida a inspiração, foi altura de procurar moldes. Encontrei na Norah Waugh e no estilista Ralph Pink duas grandes ajudas.


Norah Waugh - "Corsets and Crinolines", p. 42

Depois pensei no tecido. Em vez da seda da peça original queria adaptar para um tecido que uma camponesa ou burguesa do interior de Portugal usaria… o burel. Para o forro da camada do meio usei pano cru de algodão e, para a camada interior um algodão vermelho estampado com pequenas flores brancas (tecido gentilmente oferecido pela Sra. Fátima).


Para a armação utilizei corda de aço plastificada.


Passada esta fase extremamente exigente, da qual muito me valeu a impagável ajuda do Rafael, restou cozer à mão a fita de bainha em todo o contorno do corpete e alinhavar os ilhoses (falar é fácil, fazer é outra coisa). Nesta fase tenho muito a agradecer à Sra. Fátima, porque me fez praticamente todo o trabalho com um perfeccionismo de que só uma costureira profissional da alta-costura consegue.


E o resultado foi este…


E perguntam os curiosos: 


“Então e qual é a sensação de o usar?”

Boa, bastante confortável, por estranho que pareça. É como se estivesse a usar um top justo e um super-push up. Também me revejo na opinião de muitas recriadoras de que é como se alguém me estivesse a dar um abraço apertado.

“E respirar? Consegues?”


Sim!

Ora o grande preconceito criado por Hollywood e por vitorianos machistas que ainda persiste até aos nossos  dias, há que desmistificar! Muito confortáveis, ótimo suporto, e não provoca desmaios.








Burel: Wonatur
Forro, fita de bainha e cordão de algodão: Sonidete Texteis Lar
Fotografias: V&A Museum; Alma & You Photography 

Blue Day Gown - Wrapped Gown II (1810-1814)

Olá a todos!          Após ter utilizado  o molde # #130 da LMM  num projote anterior , não demorei muito tempo para o querer utilizar de no...