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The Red Redintoge (1798-1813)

 Olá a todos!  

     Lembram-se de eu ter mencionado no post anterior que andava a planear fazer um redingote?  Especificamente utilizando um maravilhoso burel fino vermelho que adquiri da Woonatur? Bem talvez isso não tenha contado, mas de certeza que esta gravura vos é familiar... 

Costume Parisien (1811). Journal des dames et des modes.

Já andava a matutar neste projeto há muito tempo. Tomando esta fashion plate como inspiração, desenhei o meu molde a partir  do #130 da Laughing Moon Mercantile, uma marca que, pela sua qualidade, já me habituou a confiar na produção de peças de vestuário histórico.

Já me é muito mais fácil produzir estas peças do que no início deste blog. Fazendo uns ajustes que incluíram adaptações das pinças junto ao peito, a mudança da saia franzida nas costas para pregas (ao meu gosto), a aplicação de um forro em seda vermelha,
 sem esquecer os colchetes internos para o fecho, o redingote ficou rapidamente concluído.






Simples, mas para uma cor tão vibrante e quente, não achei que fosse necessário muitos mais elementos (para além da capa amovível, claro).


Uma comparação lado a lado (sem a capa).

Então, o que acham? Ainda não cresceu o bichinho da moda histórica a vocês? 








Burel: Woonatur
Seda (forro): Cisuli Silk-Fabric Store (Aliexpress)
Colchetes e linha: Arte & Lã Retrosaria (Guarda)



Shako inspired hat


Olá a todos!

Volto a partilhar convosco mais uma recente criação,  um chapéu feminino estilo Shako. A inspiração para este modelo surgiu na consulta de algumas fashion plates de época, frequentemente associados à moda Riding Habit.


À esquerda, Ackerman's Repository of Arts,"The Glengarry Habit";
À direita, La Belle Assemblèe, "Carriage Costume". (1817).

Estes dois exemplos de 1817 mostram um pouco da enorme variedade de chapéus deste género. Em comum, têm a inspiração militar nas barretinas da época.  


O Rafael a usar uma barretina "stovepipe".
(Fotografia por Carlos Marques)


Durante a Guerra Peninsular, a barretina cilíndrica e de topo plano, foi adoptada pelos exércitos ingleses e seus aliados, inclusive no exército português. Entre 1809 e 1810, com a chegada dos aliados ingleses, as barretinas foram gradualmente sendo substituídas pelo modelo inglês “stovepipe”. Neste modelo deixariam de existir os cordões e borlas, e o penacho passou a ser usado na parte superior frontal da barretina, assim como o laço nacional. Mais informações aqui.

As versões femininas variavam em cores e feitios, apresentando frequentemente aplicações de véus  e várias plumas, mas mantendo a tipologia cilíndrica, podendo ou não ter palas.

Pondo as mãos ao trabalho, para este tutorial comecei por cortar o molde em feltro compacto. Uma pequena particulariedade a ter em conta: recortei de forma arredondada as laterais do chapéu, de forma a criar um efeito ondulado suave, fazendo com que as partes frontais e posteriores permanecessem com mais altura.




Depois de forrado com veludo negro, cosi uma fita de cetim ao longo das extremidades.


Comecei então a pensar na decoração. Resolvi fazer uma roseta a partir  de dois fuxicos sobrepostos, um em cetim branco e outro mais pequeno em cambraia preta.  Como toque final, juntei estiletes em pérola ao centro.



Em segundo, criei alguns desenhos com a aplicação de um cordão de cetim negro. Para me auxiliar a identificar o centro do chapéu, utilizei fita cola, retirando-a à medida que cosia o cordão no lugar que pretendia.




Por fim, restou coser o forro ao chapéu e acrescentar algumas plumas brancas e negras... 

 E voilá!














Cordão de cetim: Aliexpress
Tecido de veludo e cambraia: Miketecidos
Fita de cetim e linhas: Retrosaria Arte&Lã

Fotografias: Carlos MarquesRafael Sanches









Walk in a Wrapped Dress


Olá a Todos!

Venho mostra-vos algumas imagens de um pequeno passeio que dei com o Rafael pelo Poço do Inferno, em Manteigas, junto à Serra da Estrela ... Vestida à época escusado será dizer. 














Aqui podem encontrar os tutoriais de algumas peças que estou a usar:

Confesso que não tenho tutoriais do guarda-sol (produzido pela minha mãe) e do colar de contas (produzido por mim) que estou a usar, dado que são objectos que foram feitos antes de ter a ideia de criar este blog. No entanto, em breve poderei disponibilizar fotografias pormenorizadas desses acessórios.


Fotografias: Rafael Sanches (obrigada!)






Stays (1770 - 1790)


Hoje partilho com vocês uma das primeiras peças que produzi com a preciosa ajuda de duas pessoas que me são muito queridas, o Rafael e a Sra. Fátima. 

Tratam-se de uns Stays, uma das peças mais características do figurino feminino para a época moderna. Após participar em vários eventos de recriação histórica de Guerras Peninsulares referentes às Invasões Francesas como popular portuguesa, senti a necessidade de melhorar o meu guarda-roupa de recriadora. E, como é habitual, escolhi começar logo pela peça mais morosa e exigente de paciência.

Comecei por pesquisar inspirações, algo que se enquadrasse na última década do século XVIII, e encontrei esta preciosidade da Victoria & Albert Museum:


Stays (1770-1790), England. V&A.


Trata-se de um Half-Stays, que significa que contêm metade das barbas de baleia que um Full-Stays teria.Adquirida a inspiração, foi altura de procurar moldes. Encontrei na Norah Waugh e no estilista Ralph Pink duas grandes ajudas.


Norah Waugh - "Corsets and Crinolines", p. 42

Depois pensei no tecido. Em vez da seda da peça original queria adaptar para um tecido que uma camponesa ou burguesa do interior de Portugal usaria… o burel. Para o forro da camada do meio usei pano cru de algodão e, para a camada interior um algodão vermelho estampado com pequenas flores brancas (tecido gentilmente oferecido pela Sra. Fátima).


Para a armação utilizei corda de aço plastificada.


Passada esta fase extremamente exigente, da qual muito me valeu a impagável ajuda do Rafael, restou cozer à mão a fita de bainha em todo o contorno do corpete e alinhavar os ilhoses (falar é fácil, fazer é outra coisa). Nesta fase tenho muito a agradecer à Sra. Fátima, porque me fez praticamente todo o trabalho com um perfeccionismo de que só uma costureira profissional da alta-costura consegue.


E o resultado foi este…


E perguntam os curiosos: 


“Então e qual é a sensação de o usar?”

Boa, bastante confortável, por estranho que pareça. É como se estivesse a usar um top justo e um super-push up. Também me revejo na opinião de muitas recriadoras de que é como se alguém me estivesse a dar um abraço apertado.

“E respirar? Consegues?”


Sim!

Ora o grande preconceito criado por Hollywood e por vitorianos machistas que ainda persiste até aos nossos  dias, há que desmistificar! Muito confortáveis, ótimo suporto, e não provoca desmaios.








Burel: Wonatur
Forro, fita de bainha e cordão de algodão: Sonidete Texteis Lar
Fotografias: V&A Museum; Alma & You Photography 

Blue Day Gown - Wrapped Gown II (1810-1814)

Olá a todos!          Após ter utilizado  o molde # #130 da LMM  num projote anterior , não demorei muito tempo para o querer utilizar de no...